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Inês Coelho da Silva

 

 

N. 1996, Porto, Portugal

Vive e trabalha em Londres, Reino Unido

 

 

Mestrado em Escultura

Royal College of Art, Londres, UK

 

Licenciatura em Artes Plásticas, Escultura

Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Porto, PT

 

 

  Os meus trabalhos são retratos. São metáforas do que experiencio, do que observo e, mais importante, da relação entre o modo como absorvo essas informações e aquilo que sinto. São sobre perspetiva, emoção, imediatismo e tempo. Pensamentos mundanos, medos, desejos e encontros tomam forma em objetos frágeis, ações subtis, calendários de anotações pessoais, movimentos repetitivos e materiais pacientemente combinados.

 

  Foco-me na manualidade, trabalhando com elementos alimentares, têxteis e objetos encontrados na produção de peças intrincadas com relação à casa e ao lar: a prisão, a catarse. Em trabalhos mais recentes, tenho vindo a explorar ingredientes alimentares que não comemos sozinhos, mas cuja presença é vital em muitos pratos. Estes são, normalmente, pequenas sementes, minerais ou especiarias (como arroz, sal marinho ou pimenta) que, como nós, são mutáveis e instáveis. Envelhecem e deterioram-se de várias maneiras, alguns evaporando, outros encolhendo, outros apodrecendo. Normalmente, não lhes prestamos atenção como objetos, pois estamos acostumados a vê-los como conjuntos, não como peças individuais. Parece-me a mim uma ilustração da forma como olhamos tudo ao nosso redor: desatenta, descuidada e acima de tudo, rápida. Lemos na diagonal, permanecemos na superfície, vemos em vez de conhecer.

 

  Cativa-me a íntima relação entre corpo e matéria, que investigo ao desenvolver peças complexas e detalhadas que exigem uma grande proximidade física entre mim e o trabalho. Essa correlação é então imitada pelo espectador, que é convidado a aproximar-se dos objetos para os poder compreender, mas de quem também é exigido silêncio, cuidado, paciência e tempo. Na maioria das vezes, a reação do observador é uma mistura de curiosidade e de medo da possibilidade de, ao chegar demasiado perto, arruinar o estado de latente estabilidade do objeto. Experiências ordinárias são, então, traduzidas numa partilha de tempo e paciência entre mim, o trabalho e o espectador.

 

 

 

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